Mauá está entre as cidades de SP com menor perda de água, aponta estudo nacional

Mauá figura entre as 100 cidades do estado de São Paulo com menor índice de perda de água na distribuição, segundo o estudo “Perdas de Água 2026”, publicado em 2 de junho de 2026 pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. Com um índice de 36,2% registrado pelo SINISA (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico) em 2024, o município apresenta desempenho superior à média nacional, que fechou o mesmo período em 39,53%. O levantamento é o mais abrangente já produzido sobre perdas de água no Brasil e teve como base os dados de 5.144 municípios brasileiros, cobrindo 97,3% da população do país.

O índice de perda de água em Mauá de 36,2% coloca o município em posição favorável quando comparado ao panorama nacional. No Brasil, quase quatro em cada dez litros de água tratada não chegam à torneira do consumidor, desperdiçados em vazamentos nas tubulações, ligações clandestinas e erros de medição. Em Mauá, esse desperdício é proporcionalmente menor. Além disso, a cidade tem índice de hidrometração de 100%, ou seja, todos os imóveis ligados à rede da Sabesp possuem hidrômetro instalado e funcionando, o que facilita o controle e a identificação de irregularidades.

O ABC entre os destaques do estado

No recorte regional, Mauá acompanha outras cidades do Grande ABC em desempenho acima da média nacional. São Bernardo do Campo se destacou como a sétima cidade mais eficiente entre os 100 maiores municípios do Brasil, com índice de 18,25%, segundo o mesmo estudo. Santo André e Diadema também aparecem entre as mais bem posicionadas do estado. Todos os números do ABC apurados pelo Instituto Trata Brasil ficaram abaixo da média nacional de 39,53%.

O estado de São Paulo como um todo registrou 32,15% de perdas na distribuição em 2024, terceiro melhor resultado entre todos os estados brasileiros, atrás apenas de Goiás (27,13%) e Piauí (24,61%). O desempenho paulista reflete décadas de investimento em infraestrutura hídrica e modernização das redes, com destaque para o papel da Sabesp nos municípios sob sua concessão.

O caminho até a meta federal

O estudo aponta que o país ainda tem um longo percurso até as metas estabelecidas pelo governo federal. A Portaria MCID nº 788/2024, do Ministério das Cidades, determina que municípios beneficiados por recursos federais alcancem índice igual ou inferior a 30% de perdas na distribuição entre 2026 e 2032, chegando a 25% a partir de 2033. Para continuar acessando financiamentos públicos, cidades que não atingirem esses patamares precisam demonstrar a execução de programas ativos de controle de perdas.

Nesse contexto, Mauá mantém margem de avanço. A Sabesp prevê investimentos superiores a R$ 270 milhões em Mauá até 2029, sendo R$ 160 milhões voltados ao reforço do abastecimento de água potável. A empresa também atua no município com o Programa Água Legal, que tem como objetivo regularizar ligações irregulares em áreas informais, uma das principais fontes de perda comercial nos sistemas de distribuição.

O levantamento do Instituto Trata Brasil projeta que, se o Brasil reduzir suas perdas nacionais ao patamar de 25% até 2033, o ganho bruto acumulado pode chegar a R$ 47,3 bilhões em dez anos. Mesmo descontados os investimentos necessários para essa redução, o benefício líquido estimado é de R$ 23,6 bilhões, evidenciando que o controle de perdas é também uma equação financeira favorável para as prestadoras e, em última instância, para o bolso do consumidor via tarifas.